quinta-feira, 11 de dezembro de 2014



REFLEXÃO

Esta é a minha primeira contribuição.
Dá conta de uma das minhas experiências em Angola, nos terríveis anos 80.


Angola ficou lá. Escondida, desconhecida. 
As suas gentes nasciam, cresciam e morriam sem se atreverem a descobrir-lhe as belezas. Só em fuga se faziam à estrada, à picada, à mata, não se atrevendo a apreciar as belezas, que se lhes deparavam então horrendas, camufladas pelo pânico, pelas perdas inúmeras e imensas.
Perdas familiares, de valores, do próprio corpo ou parte dele, que qualquer maquiavélica mina teimava sadicamente em explodir.
Angola — linda, espantosa, esplendorosa,  jorrando força — esperava fiel pela paz.
Teve que esperar mais vinte anos, vinte longos anos de desespero profundo.
Angola pode agora namorar o seu povo, fazê-lo apaixonar-se perdidamente por ela.

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